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Ateliês de Santê: Bárbara Macedo

Ateliês de Santê: Bárbara Macedo, o desenho como destino

“Comecei no caminho das artes na infância. Era uma criança criativa e inquieta e minhas brincadeiras eram de criar personagens e sempre desenhando, desde que me entendo por gente”, assim a artista plástica, moradora de Santa Tereza, Bárbara, a Babi, para os amigos e a família, explica sua ligação com a arte.

Bárbara Macedo por Jair Campos

O bairro para ela tem um significa especial pois aqui tem passado toda sua vida. Inclusive é onde Bárbara tem seu ateliê, à Rua Epidoto 301, cantinho em que, além de dar asas à imaginação, ensina o ofício do desenho e da pintura. Ela comenta que seus pais, Ana Macedo e Renato de Castro, lhe davam liberdade para desenvolver o lado criativo e inquietante, assim seu destino foi sendo traçado, linha por linha, como os seus desenhos. “Formei no ensino médio, em princípio pensando em fazer vestibular para química, em 2012”. A coisa mudou de rumo, quando sua irmã, Ana Luiza, falou sobre a Arena da Cultura, um curso gratuito ofertado pela prefeitura. “Fiz minha inscrição, larguei a história do vestibular de lado e passei a fazer  aulas de teatro e pintura na Arena, no Edifício Central, na Praça da Estação”. Na Arena de Cultura, a adolescente Bárbara, ouviu falar da Escola Guignard, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). “Tentei o vestibular por três vezes e deu certo só na terceira tentativa, em 2016. Fui com a cara e a coragem e passei. Não contei pra ninguém.  Só depois que saiu o resultado”, comenta rindo. Foi na Escola Guignard, ela observa, “que comecei a ver as possibilidades no campo das artes, que eu poderia exercer. Então voltei para o meu lugar de origem, o desenho. Vivo dele e de seus desmembramentos, escrevendo sobre o tema e como professora. Minha renda dando aulas é maior do que como artista plástica. Nesse processo, varias coisas aconteceram, mas concluí que minha vida é desenhar, é a única coisa que sei fazer e que também me dá prazer”, conclui Bárbara. Em sua curta carreira, ela tem  24 anos, Bárbara já participou de várias mostras, sendo que a última, Coleção Grandes Mestres das Nudes, está em cartaz na Galeria Mama Cadela, na Rua Pouso Alegre, 2048, em Santa Tereza, até o dia 18 de agosto. As primeiras mostras, segundo ela, foram quando ainda adolescente estudava na Arena de Cultura, na Virada Cultural em 2013 e 2014.  A primeira individual foi em janeiro de 2016, na Assembleia Legislativa. Neste mesmo ano integrou uma exposição coletiva na Cidade Administrativa e fez uma individual, Metamorfoses, no Espaço Sérgio Salomão, na Savassi. Em 2017, fez uma mostra individual em Assunção, no Paraguai.  Em 2018, participou de um uma exposição coletiva, na Galeria de Arte Quartoamado e fez um mural em uma das principais rotas da arte urbana em BH, no bairro Serra. Em junho fez mais uma individual no espaço Guaja. Sobre a Coleção Grandes Mestres das Nudes A Coleção, onde ela tem 35 obras expostas, nasce do episódio de tentativas de censura à exposição do Pedro Moraleida, que aconteceu no Palácio das Artes, e outros fatos ocorridos no país. Bárbara explica que “vi de perto como a onda de censura influenciava a produção artística, no modo em como a obra é exposta, em menor ou maior proporção”.

Uma das obras da Coleção Grandes Mestres das Nudes

Seu espírito irrequieto a levou a pensar que precisava fazer alguma coisa a partir disso. A artista se pergunta por que pinturas famosas de nu do renascimento são aceitas e outras contemporâneas não? Ela comenta que ” então tracei paralelos do que as pessoas consideram um nu aceitável artisticamente e o que elas consideram um nu que deva ser censurado artisticamente. Cheguei a dois extremos, pinturas famosas de nu do renascimento até à modernidade das nudes, fotos que as pessoas enviam por celular. Abri então o recebimento de nudes via Facebook. Comecei a desenhar a partir das fotos recebidas do pescoço para baixo e no lugar do rosto da pessoa coloquei o de uma obra de arte famosa de nu. Isso reverberou mais do que imaginei. Muita gente gostou e se interessou pelo trabalho. Então surgiu o convite do Mama Cadela para expor as obras”. Bárbara então convidou mais três artistas para participar da exposição, Zadô Luz, Marta Neves e Davi Marc. “Assim nos unimos no propósito da derrubada dessa coisa de censura que está acontecendo e que não faz sentido isso em 2018 e volto a bater na tecla, por que um é aceito e o outro recriminado?  São os porquês que movimentam a exposição. Não espero uma resposta, mas só das pessoas se perguntarem a razão disso reverberar nelas, já atingimos o propósito. Mais importante que a resposta é o questionamento”, explica Bárbara.   Serviço Coleção Grandes Mestres das Nudes Dia 18 – sábado Último dia da exposição, de 15h às 22h Encerramento com flashday de tatuagem, música. Galeria Mama Cadela – Rua Pouso Alegre, 2048 Entrada franca Foto da Bárbara, crédito: Jair Campos – Captura Imagem (também morador de Santa Tereza) Saiba mais sobre a exposição

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