Exposição Vaivém - Santa Tereza Tem
Logo

Agenda

Carregando Eventos

« Todos Eventos

  • Este evento já passou.

Exposição Vaivém

Exposição Vaivém com mais de 300 obras que representam as redes de dormir na cultura e arte brasileira

A partir de 11 de março, o público poderá visitar a mostra que reúne o trabalho de 141 artistas, desde ícones como Tarsila do Amaral e Cândido Portinari à novíssima geração como o coletivo Opavivará!, com a instalação “Rede Social”, que é um convite à desaceleração.

Seja nas instalações de Tunga, Hélio Oiticica e Ernesto Neto, nas obras de Arissana Pataxó, nos quadros de Tarsila do Amaral, desenhos de Cândido Portinari ou no cinema, lá está ela: a rede de dormir. Parte do imaginário brasileiro, sua representação em mais de 300 obras de 141 artistas (entre eles, 32 indígenas) poderá ser vista na exposição Vaivém, que será inaugurada no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) no dia 11 de março.

Ao longo de sua itinerância pelos CCBBs de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, Vaivém reuniu mais de meio milhão de visitantes. A exposição, será exibida até 18 de maio no CCBB BH, diariamente (exceto às terças-feiras), de 10h às 22 horas. A entrada é franca e os ingressos podem ser retirados pelo site eventim.com.br ou na bilheteria do centro cultural (detalhes do serviço mais abaixo).

Ocupando o terceiro andar e o pátio do CCBB, a mostra reúne pinturas, esculturas, instalações, performances, fotografias, vídeos, revistas em quadrinhos e documentos sob curadoria do historiador e crítico da arte Raphael Fonseca, que também é curador do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC - Niterói). Exibindo obras clássicas do século 16 aos dias de hoje, ele ressalta que Vaivém transita entre tempos, linguagens e artistas. Para ampliar esse debate, o curador conduz palestra gratuita no dia 11 de março, às 20 horas, no Teatro II, do CCBB. No bate-papo o curador vai apresentar um panorama sobre as obras expostas e abordará a iconografia das redes de dormir e sua associação às ideias de Brasil, brasileiro e brasilidade, discutindo como diferentes artistas se utilizaram do objeto e suas representações para celebrar ou questionar noções diversas de identidade nacional. A palestra contará com tradução em libras.

Resistências e permanências. A rede de dormir é pensada por artistas indígenas, na maioria, que a associam a uma marca da luta pela sobrevivência das culturas originárias brasileiras. Aqui o objeto rede pode ser visto como signo de resistência e permanência. “Mesmo com séculos de colonização e com as recentes crises políticas quanto aos direitos indígenas, elas (as redes) se perpetuaram como uma das muitas tecnologias ameríndias”, afirma o curador.

Neste segmento, a maior parte das obras é produzida por artistas indígenas contemporâneos, como Arissana Pataxó. No vídeo inédito Rede de Tucum, ela documenta Takwara Pataxó, a Dona Nega, única mulher da Reserva da Jaqueira, em Porto Seguro (BA), que ainda guarda o conhecimento sobre a produção das redes feitas com fibras das folhas da palmeira Tucum.

A rede como escultura, a escultura como rede. Toda rede de dormir, pensada para o uso do corpo humano, é também uma escultura no espaço. Este núcleo coloca em diálogo redes criadas por associações de artesãs indígenas e não indígenas e trabalhos de artistas reconhecidos pelo sistema da arte contemporânea.

No pátio do CCBB BH, estará Rede Social, uma instalação interativa do coletivo carioca Opavivará!, com oito redes unidas umas às outras, que convidam o público a se deitar e balançar ao som de chocalhos presos a elas.

Uma animação do jovem artista Gustavo Caboco, de Curitiba, filho de mãe indígena, que discute seu pertencimento à cultura ameríndia no Brasil, e o vídeo de selfies enviadas por mulheres em redes de dormir, de Salissa Rosa, nascida em Goiânia, e de pai indígena, estão neste núcleo.

De Hélio Oiticica foram selecionadas fotografias da menos conhecida série Neyrótika e, de Ernesto Neto, um conjunto de obras do início de sua carreira, nos anos 1980, onde redes não aparecem literalmente, mas são sugeridas em uma dinâmica de tensão e equilíbrio. A ação Trabalho, de Paulo Nazareth, ganha aqui nova versão. Através de uma oferta de emprego anunciada em jornal, o artista contratou um funcionário, que deverá permanecer deitado em uma rede instalada no CCBB BH durante oito horas por dia, até o fim da mostra.

O coletivo MAHKU (Movimento dos Artistas Huni Kuin), do Acre, vai criar para a itinerância Vaivém, no CCBB BH, uma pintura mural a partir de um canto huni meka (o canto será escolhido durante a montagem da exposição). As telas produzidas pelo coletivo para os CCBBs de Brasília e Rio de Janeiro também serão exibidas em Belo Horizonte. Já Denilson Baniwa, vencedor do Prêmio PIPA online 2019, nascido no Amazonas e residente no Rio de Janeiro, fez intervenções digitais e físicas sobre obras de artistas brancos que retrataram povos indígenas.

Um dos destaques contemporâneos aqui é Dalton Paula, pintor afro-brasileiro de Goiás, que lança um olhar sobre as narrativas a respeito da negritude no Brasil desde a colonização, e nas fotografias de Luiz Braga estão as redes de dormir em cenas do dia-a-dia no Pará.

Lugar importante desse percurso histórico é ocupado por Macunaíma (1928), livro de Mário de Andrade, em que o personagem principal passa grande parte da narrativa em uma rede. Representações de Macunaíma aparecem aqui em diversas linguagens.

Em exposição estão as primeiras ilustrações para a publicação Macunaíma por Carybé, um desenho pouco exibido de Tarsila do Amaral – Batizado de Macunaíma – e a adaptação da história para HQ por Angelo Abu e Dan X, lançada em 2016.

Invenções do Nordeste. Neste núcleo estão trabalhos que convertem em imagens mitos da relação entre as redes e a região geográfica, como a associação delas à seca e à migração para o sudeste. Outros itens expostos são um elogio ao nordeste, tendo a rede como símbolo de orgulho da potente indústria têxtil local. Destaque para uma série de fotografias de Maureen Bisilliat pelo sertão nordestino e as cerâmicas de Mestre Vitalino que retratam grupos de pessoas enterrando entes dentro de redes.

SERVIÇO
Exposição Vaivém | 11 de março a 18 de maio de 2020
CCBB BH: Praça da Liberdade, 450 - Funcionários, Belo Horizonte – MG
Horários: quarta a segunda-feira, das 10h às 22h
Entrada gratuita | Livre
Mais informações: (31) 3431-9400 | www.bb.com.br/cultura

Anúncios