Em defesa das árvores - Santa Tereza Tem
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Em defesa das árvores

Toda luta em defesa do que resta de verde na cidade deve ser apoiada

• Jorge Fernando dos Santos

Empreendimento ameaça uma grande área no bairro Jardim América

• Empreendimento ameaça uma grande área no bairro Jardim América | Parque Jardim América/Facebook

Mais uma vez, moradores de Belo Horizonte protestam em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida. O grito recente foi dado pelo movimento SOS Mata do Jardim América, que defende a preservação de 465 árvores e animais silvestres ameaçados por um empreendimento da construtora Masb.

A mata em questão ocupa uma área de 21.528,56 m² entre as ruas Gama Cerqueira, Sebastião de Barros, Daniel de Carvalho e Avenida Barão Homem de Melo, no bairro Jardim América. Em vez de novos prédios, o local poderia abrigar um parque municipal de lazer e preservação ambiental.

Os protestos de domingo (22/1) aconteceram quase quatro anos depois da assinatura de um acordo que previa a realização do empreendimento imobiliário, desde que a preservação da área verde fosse garantida pela construtora.

Segundo a imprensa, em 2014 a Masb conseguiu uma licença para implantar seu empreendimento. Os planos da empresa foram interrompidos pela mobilização dos moradores e ambientalistas. Em 2019, foi assinado o tal acordo entre a construtora, a PBH, os moradores, os proprietários dos terrenos e o Ministério Público de Minas Gerais.

Lençol freático

Em reportagem publicada esta semana no portal Hoje em Dia, o engenheiro ambiental Felipe Gomes lembra que a construção deveria preservar boa parte da área verde em questão. Contudo, o projeto apresentado mostra que será necessário o corte de mais de 400 árvores no terreno. Enquanto isso, áreas sem relevância ambiental permaneceriam intactas.

A PBH garante que “as árvores a serem suprimidas serão devidamente compensadas conforme legislação aplicável”. No entanto, os moradores afirmam que a mata em questão é uma área de preservação ambiental de grau máximo de proteção (PA 1), conforme o Plano Diretor de Belo Horizonte.

Os manifestantes de domingo também alegam que o local se enquadra como área de risco de contaminação do lençol freático, já que abrange a sub-bacia do Córrego Piteiras, que faz parte da bacia do Ribeirão Arrudas. Atualmente, circula um documento com mais de 16 mil assinaturas em apoio à causa dos moradores.

A questão agora está no MP, o que não significa garantia de vitória para a população. A exemplo do que ocorre na queda de braço em torno da Serra do Curral, ambicionada por mineradoras apoiadas pela Fiemg, o poder econômico dispõe de muito mais armas do que a sociedade civil.

Por essas e outras, toda luta em defesa do que resta de verde na cidade deve ser apoiada. Bom lembrar que a mesma PBH que aceita o replantio de árvores, nesses casos, sempre dificulta o corte quando o solicitante é um cidadão comum preocupado com a segurança do seu imóvel. Dois pesos e muitas medidas.

*Jorge Fernando dos Santos. Jornalista, escritor e compositor, tem 46 livros publicadosPalmeira Seca (Prêmio Guimarães Rosa 1989), Alguém tem que ficar no gol (finalista do Prêmio Jabuti 2014), Vandré – O homem que disse não (finalista do Prêmio APCA 2015), A Turma da Savassi e Condomínio Solidão (menção honrosa no Concurso Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte 2012).

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