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Curiosidade: Sebastião não morreu flechado

Hoje, dia 20, Dia de São Sebastião, publicamos o artigo: São Sebastião não morreu flechado, por Carlos Felipe Horta.*

Apesar de ser sempre apresentado amarrado a uma árvore, com três flechas no corpo, não foi assim que São Sebastião morreu. Na verdade, sua história é um pouco maior. Chefe da guarda do imperador Deocleciano, ele se aproveitava desta posição para pregar e angariar adeptos para o cristianismo. Delatado ao imperador, foi por ele acusado de ingrato ao introduzir dentro do próprio palácio uma crença inimiga da religião romana, atraindo com isso a ira dos deuses.

São Sebastião por Andrea Mantegna (1431-1506) pintado por volta 1480, é uma joia do Museu do Louvre

Sebastião, respeitosamente, lhe respondeu que, ao contrário, sempre rezava a Cristo em favor do imperador. Mesmo assim, foi ordenada a sua morte por flechamento. E isto aconteceu. Dado como morto, foi deixado no local. À noite, uma mulher, Irene, que tinha ido buscar o corpo do seu marido, também condenado à morte, viu que Sebastião estava vivo e o levou para sua casa, onde ele se recuperou.

Tão logo pôde, foi à presença do imperador que não acreditou no que viu. Sebastião não apenas confirmou ser quem era como também afirmou que ele estava ali para, de público, condenar as atrocidades cometidas contra os cristãos, embora fossem eles leais ao Império. Deocleciano não quis ouvir mais nada e ordenou que Sebastião fosse levado à arena do Circo Romano, onde foi morto a varadas. Em 20 de janeiro no ano 288 da era cristã. Até aqui a História.

Na religiosidade popular, além do seu sincretismo, na Umbanda, com o orixá Oxossi, São Sebastião é invocado para obter paz e concórdia entre as pessoas, preservá-las dos males do corpo. Das guerras e dos conflitos… Os devocionários apresentam dezenas de orações e até mesmo algumas práticas de como empregá-las e, em alguns lugares do País ainda são preservados costumes e folguedos como a Folia de São Sebastião.

Representações de Oxossi e São Sebastião

Nós mesmos acompanhamos e registramos uma bastante curiosa, em que os foliões se vestiam com camisas vermelhas, portando bandeiras da mesma cor, com a efígie do santo. Em Minas Gerais, São Sebastião deu origem a quermesses populares e nós mesmos vivemos muitas no Sul de Minas, orações, rezas específicas e procissões às quais se seguiam as barraquinhas com leilões.

No momento em que o Brasil vive uma crise prisional e Minas Gerais vive o temor da febre amarela é oportuno registrar uma das muitas orações para santo: “ Onipotente e eterno Deus, que pela intercessão de São Sebastião, vosso glorioso mártir, encorajastes os cristãos encarcerados e livrastes cidades inteiras do contágio da peste, atendei nossas humildes súplicas, socorrei-nos em nossas necessidades , aliviai-nos das nossas angústias, reanimai os encarcerados, livrai-nos do contágio”.

Sebastian com Milton Nascimento e Gilberto Gil

*Carlos Felipe Horta – jornalista, folclorista, pesquisador e colaborador do Santa Tereza Tem

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