Zé do Caixão no Cine Santa Tereza - Santa Tereza Tem
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Zé do Caixão no Cine Santa Tereza

Cinema Falado traz ao MIS Santa Tereza: “Á Meia Noite Levarei sua Alma”

Quem dos mais antigos não se lembra do Zé do Caixão, do José Mojica Marins, “pai” do terror nacional, que fez sucesso com seus famosos filmes aterrorizantes nas décadas de 60 e 70?

Pra relembrar o projeto Cinema Falado, traz ao MIS Cine Santa Tereza, dia 18, próxima terça-feira, às 19 horas, o longa “À Meia Noite Levarei sua Alma”, de José Mojica Marins, com o lendário personagem “Zé do Caixão”. Em novembro de 2015 o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. O crítico de cinema Marcelo Miranda comentará o filme. A entrada é gratuita.

À Meia Noite Levarei Sua Alma – o filme

Com “À Meia-Noite Levarei a Sua Alma”, José Mojica Marins coloca-se, com o seu personagem Zé do Caixão, como a principal referência do cinema de horror brasileiro. O personagem vai às últimas consequências no seu objetivo de gerar um filho perfeito com a mulher ideal. Mata a mulher legítima porque ela é estéril e também o melhor amigo, para ficar com a mulher deste.

Zé do Caixão

Sinopse: O cruel e sádico coveiro Zé do Caixão, temido e odiado pelos moradores de uma cidadezinha do interior está obcecado em conseguir gerar o filho perfeito, aquele que possa dar continuidade ao seu sangue. A sua mulher não consegue engravidar e ele acredita que a namorada do seu melhor amigo é a mulher ideal que procura. Violada por Zé do Caixão, a moça quer cometer suicídio para regressar do mundo dos mortos e levar a alma daquele que a violou. A saga de Zé do Caixão continuará em Esta noite encarnarei no teu cadáver.

Para contar essa história, José Mojica mistura referências do cinema estrangeiro com elementos do folclore brasileiro, da realidade social e das religiões tradicionais. As crenças católicas são duramente ridicularizadas. O personagem diz não acreditar na vida eterna; para ele, a morte é o fim da existência.

Elenco
José Mojica Marins …. Zé do Caixão
Magda Mei ……………. Teresinha
Nivaldo de Lima ……… Antônio
Ilídio Martins ………….. dr. Rodolfo
Valéria Vasquez ……… Lenita

A crítica

As opiniões sobre o filme e o trabalho de José Mojica Marins se dividem bem entre aqueles que elogiam e os que detestam.

A estética de Marins parece gratuita, à primeira vista, mas ela tem o objetivo de criar uma realidade fantástica. A crítica, evidentemente, se dividiu a respeito de Marins e seu filme. “A violência física é gráfica, excessiva e estilizada”. “Ele supera a precariedade da produção com criatividade, afrontando os cânones estéticos e temáticos com a crueza da mise-en-scène”. O mineiro Maurício Gomes Leite, no Jornal do Brasil, escreveu que “À Meia-Noite Levarei a Sua Alma” absolutamente não é cinema. Não é um filme primitivo, é primário; não choca, imbeciliza; para o cinema do Brasil não é uma linha pioneira, é um atraso”.

Para Rubens Ewald Filho, “Mojica Marins, em seus primeiros filmes, tinha um certo charme do malfeito. Disseram-lhe que era um gênio e ele acreditou”. Salvyano Cavalcanti de Paiva afirma que o filme é “a obra-prima da velhacaria com surpreendente dose de inventividade cinematográfica”. Para José Lino Grunewald, “é sem dúvida um dos melhores cineastas brasileiros e um dos poucos que, no nível internacional, inova no gênero horror”. Na Folha de S.Paulo, Benedito J. Duarte chama o filme de “abracadabrante, a atuação do ator é ridícula e grotescamente pretensiosa”.

Crítico de cinema do jornal Última Hora, o escritor Ignácio de Loyola Brandão taxa o filme de ruim. Para Jairo Ferreira, em seu livro Cinema de Invenção, Marins é um “gênio total”. O filme “é puro cinema e nele impera a insegurança e a exasperação. É um tipo de cinema que ameaça as relações normais entre os atores, entre a câmera e o decor, o diálogo e a realidade. Mojica nunca elege o melhor ator, o melhor enquadramento, o melhor diálogo, o melhor momento da filmagem, como os outros cineastas”.

O universo maldito de Zé do Caixão, para quem a ficção é a única realidade

Um pesadelo que teve durante o sono, no qual um agente funerário aterrorizava uma pequena cidade, o inspirou José Mojica Marins a criar a figura de Zé do Caixão, um anti-herói que, com suas excentricidades, veio assombrar também os espectadores, acostumados ao que era mais convencional no cinema.

Mojica foi objeto de várias teses acadêmicas. “À Meia-Noite Levarei a Sua Alma” recebeu o prêmio especial no Festival Internacional de Cine Fantástico y de Terror, em Sitges, na Espanha, em 1973, e o prêmio “L’Écran Fantastique” de originalidade na 3ª Convention du Cinéma Fantastique, na França, em 1974.

“À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1964) não é o primeiro filme de José Mojica Marins, nascido em São Paulo, capital, em 1936, mas ficou conhecido como sendo. Antes desse filme, que o tornou conhecido como diretor, ator e roteirista, ele já tinha tentado, em 1954, realizar um filme, “Sentença de Deus”, que ficou inacabado. Depois, em 1958, realizou “A Sina do Aventureiro”, e em 1963, “Meu Destino em Tuas Mãos”.

Meu destino em suas mãos

“À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, com seu horror gore, inaugurou o cinema fantástico no Brasil, transformando-se num extraordinário sucesso de bilheteria, não obstante sua fatura tosca e a fotografia em preto-e-branco. O fenômeno foi seguido, em 1966, por uma continuação: “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver”, e outra, em 1968: “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, com roteiro de R. F. Lucchetti, um dos maiores “ghost-writers” do mundo, com 1.500 livros de “pulp fiction” publicados, além de histórias em quadrinhos e roteiros de filmes (como “O Segredo da Múmia”, de Ivan Cardoso).

Esses filmes constituíram o que ficou conhecido como a trilogia de Zé do Caixão, desfeita em 2008 por “A Encarnação do Demônio”, realizado com mais recursos de produção, que, não obstante as boas críticas, não foi bem recebido pelo público — talvez porque o magrelo Zé do Caixão tenha virado um velho senhor.

Os anos seguintes foram difíceis para Mojica Marins. Em 1967 e 1968, ele apresentou um programação de televisão, “Além, Muito Além do Além”. Em 1969, saiu a HQ de “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”. Nesse mesmo ano, ele realizou “Ritual de Sádicos”, que foi proibido pela censura do regime militar e que só foi liberado em 1983, com o título de “O Despertar da Besta”.

Nesse período atuou em filmes de outros diretores e dirigiu filmes encomendados. Como JMM assinou “Finis Hominis”, em 1971, e “Delírios de um Anormal”, em 1978.

José Mojica Marins

O pior veio em seguida: assinou vários filmes de sexo explícito. Nos anos 90, Mojica Marins foi descoberto nos Estados Unidos. Zé do Caixão, com o nome de Coffin Joe, virou cult com o lançamento da trilogia em VHS.

Os anos 2000 também foram movimentados para o personagem e para o cineasta. Zé do Caixão apresentou-se no quadro “Noites de Terror” de um parque de diversões. Apresentou também uma programação de televisão o “Cine Trash”. Entre 2008 e 2014, conduziu um programa de entrevistas na TV, “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”. Em 2015, dirigiu o episódio “O Saci” para a série televisiva “As Fábulas Negras”. No mesmo ano, participa da minissérie “Zé do Caixão”, sobre a vida do cineasta.

Sobre o comentarista

Crítico, pesquisador e curador de cinema, Marcelo Miranda publica textos em catálogos, sites e jornais, entre eles Folha de S.Paulo e Cinética. Produz e apresenta o podcast “Saco de Ossos”, programa de entrevistas com criadores e estudiosos de ficção de horror no Brasil.

Cinema Falado

Cinema Falado é um projeto do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC-MG) e do Instituto Humberto Mauro, em memória do crítico e cineasta Geraldo Veloso. O projetotraz mensalmente filmes brasileiros para serem exibidos e comentados por especialistas no MIS Cine Santa Tereza.

A O projeto conta em 2020 com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

SERVIÇO
Cinema Falado traz ao MIS Santa Tereza “À Meia Noite Levarei Sua Alma”
Data: 18 de fevereiro (terça-feira)
Horário: 19 horas
Local: MIS Santa Tereza – Praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza
ENTRADA GRATUITA

Informações do Centro Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais

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