Ateliês de Santê: Seu Antônio das Bolsas - Santa Tereza Tem
Logo

Ateliês de Santê: Seu Antônio das Bolsas

Aposentar e envelhecer não significa necessáriamente ficar parado”, ensina seu Antônio das Bolsas

Por Isa Patto (texto e imagens)

Foi-se o tempo em que envelhecer era sinônimo de só ficar na frente da televisão, não fazer nada, vendo a vida passar.  Quem ainda acredita que idosos são improdutivos, não conhece seu Antônio Rodrigues Costa Filho, que aos 86 anos, morador de Santa Tereza, produz bolsas e sacolas.

Mas não é uma bolsa qualquer. Ela é feita com a reciclagem de lonas de vinil de banners. Em lugar de serem descartadas no lixo, esse material é transformado por ele em sua casa.

Sua história com as bolsa começou em 1961, época em que veio para Belo Horizonte. Natural de Diamantina era funcionário dos Correios e foi transferido para capital. Casou-se e escolheu Santa Tereza para morar com a esposa Rosa.

Seu salário nos Correios não era lá essas coisas e por isso começou a fazer bolsas para complementar a renda. Começou quando uma amiga de sua esposa pediu para que ele consertasse uma bolsa velha, “Aqui em casa já tinha uma máquina de costura da Rosa, mas eu nunca tinha usado. Quando criança via minha mãe costurando e então resolvi em vez de arrumar a bolsa, fiz outra igualzinha. Foi aí que comecei a costura, e não é que deu certo?”, contou risonho.

Segundo ele, essa mesma amiga sugeriu que ele fizesse outras bolsas para vender. Então começou a produção. O material usado eram retalhos de courvim que comprava na antiga loja BH Couros, no Centro.  Ele conta que “conciliava minha produção de bolsas com meu trabalho nos Correios e ficava até de madrugada costurando. Já cheguei a cochilar em cima da máquina. Vendia muito e com isso consegui criar bem meus cinco filhos. Parei, quando fui transferido para a Receita Federal e meu salário melhorou”.

O retorno

Quando se aposentou, ficou no paradeiro, só vendo televisão. Preocupado com isso seu filho Vladimir dos Santos, o Bibica, sugeriu que ele voltasse a fazer bolsas.  Bibica disse que um amigo do bairro, que tem uma empresa de banners, jogava no lixo as impressões que não davam certo ou tinham algum erro, e que quando viu essa lona vinil pensou no pai.  “Eu trouxe um pedaço para ele testar. Ele fez uma ou duas bolsas e pediu mais material”.

Avental feito de lona bom para açougues e cozinhas

O que era uma complementação de salário, hoje é um passa tempo. Ele explica que “gostei da ideia e como essa lona era descartada mesmo, comecei a reaproveitá-la para produzir bolsas e aventais, sem ter praticamente gasto nenhum. Se eu fosse comprar o material teria que vender muito caro, mas como esse amigo do Bibica me fornece o material, só gasto com a linha. Para mim é uma atividade prazerosa e ocupo meu tempo. Não gosto de ficar parado. Às vezes vendo, mas a maior parte acabo dando para os amigos e para os familiares”.

Seu Antônio e Santa Tereza

Ele lembra que, quando mudou de Diamantina, veio para Santê porque sua esposa queria ficar perto da irmã que já morava no bairro. Então, até comprar sua casa na Rua Salinas, morou de aluguel em vários endereços. “Foi aqui que meus filhos nasceram, cresceram e moram até hoje com suas famílias. Só tenho um que não mora aqui”.

Seu Antônio e o filho Bibica

Saudoso, ele lembra da época em que aqui chegou, quando as compras eram feitas por meio de cadernetas nos armazéns, na farmácia, no açougue do Moacir, época em que tudo que se comprava era anotado. “No final do mês eu pegava o ordenado, punha no bolso, pagava o armazém que era o principal, ia passando e pagando o que devia. Às vezes o dinheiro estava curto e eu ficava devendo um tanto aqui um tanto lá e no outro mês acertava”, recordou.

Mesmo achando o bairro muito movimentado e perigoso hoje em dia, o Sr Antônio fala que Santa Tereza parece uma cidade do interior e declara sua paixão pelo bairro, lugar do qual, segundo ele, nunca saiu e jamais sairá. 

Quem quiser conhecer e comprar as bolsas é só entra em contato no telefone (31) 99603-8844

Anúncios